A + B, A - B, A e B, B e A, ABBA

Vou te falar o que A e B não são: Não, eu não sou A nem B. Não, eles não são nem homens nem mulheres. Não, eles não são corinthianos ou palmeirenses Não, eles não sabem se tem algo útil pra você ler neste blog. Não, pára de perguntar e lê. Saco.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Trecho do Conto "Os Três Enterros e Um Funeral de José Nicolal"

A: Então, nóis não pode enterrar o corpo do José Nicolal sem saber quem o matou, por bem ou por mal!
B: Vamo levar o corpo pra Curandeira ver se tem alguma visão.
A: Mas não dá tempo, seu tonto. O povo já tá vindo pro fundo pro funeral.
B:E eu não sei? E agora? O que fazemos? Se o El Chupacabra negou ter matado o velho, quem matou? Eu que não fui.
A: E se a gente fizesse uma farsa. Fingisse que o corpo do velho tava sendo enterrado enquanto levamo pra Curandeira ver?
B: Ah, mas a Dona Nêga vai desconfiar da leveza do caixão. O José Nicolal era mais pesado que nóis dois junto.
A: Olha, não fale assim, homem. Não sabe da maldição que é dizer o nome do velho sem rimar? Quem não rima, morre.
B: E eu lá sou homem de acreditar em crendice de povo burro? Ora, até parece.
A: Cudado, homem...Mas eu pensei no seguinte: você entra no caixão e fica lá dentro quietinho enquanto o povo lamenta a morte do velho. Antes da hora do enterro eu te tiro de lá!
B: EU? Porque eu? Até parece que eu vo ficar deitadinho dentro de um caixão sem respirar!
A: Ora, homem, eu tenho um caixão importado aqui, vindo da Europa, tão bom que até gente viva quer dormir nele. Pode confiar!
B: Ah, mas olha aqui! O manual tá todinho em inglês...como você vai saber como usar?
A: E você não sabe que eu sei inglês de qualquer lingua rapaz? Tá combinado! Entra aí e fica quieto.


B reclama durante mais algum tempo mas cede à ideia do amigo. O corpo do velho ia de carroça para a casa da Curandeira enquanto B se passava por ele, dentro do caixão. Durante o velório, A ficou bem pertinho do caixão pra que ninguém pudesse se aproximar e tentar abrir. Disfarçava, chorava, abraçava os parentes do velho...tudo que fosse preciso pra manter a farsa. De vez em quando, B soltava um gemido ou outro e fazia o caixão estremecer. Aí, A, com muito cuidado, dava um coice mandando o amigo ficar quieto e aguentar mais um pouco. Tudo com muita sutileza.

Ninguem estranhou e a farsa parecia dar certo. Os parentes saiam da sala e A achou que estava livre para ver como o amigo estava. Ao abrir o caixão, a surpresa! O amigo estava morto. Não respirava, não se mexia, não reclamava mais. Desesperado, A começou a gritar: "Ele morreu! Meu Deus, ele morreu! E agora?". Vendo isso, as pessoas à volta pensavam que A falava do velho e não de seu amigo que acabara de morrer.

Dona Nêga: Calma , meu fio. É assim mesmo. as pessoas morrem. Deixe o velho ir em paz. Se conforme.
A: Mas a senhora não tá entendendo. Não era pra acontecer isso! Meu Deus! Meu Deus!
Dona Nêga: eu enm sabia que voce gostava tanto do velho assim. Se aquiete, meu filho.
A: Não...mas...Meu Deus, não era pra ser assim...ele morreu...e agora?
Então, Dona Nêga, com toda a delicadeza que lhe era particular, diz: "Pu-ta-que-o-pa-riu!

Alguém tira esse fpd daqui senão meto uma bolacha na cara dele. Pára de gritar, porra"

Enquanto A era removido da sala por parentes e amigos o consolando pela morte, o corpo de B seguia para ser enterrado como se fosse o de José Nicolal. Será esse o final?

1 Comments:

  • At 4:19 PM, Anonymous Anônimo said…

    Adooooro suspense... aguardo cenas do próximo capítulo... haha
    Vc viu, vamos ter aula com o papis do Bru... ele vai ter q dar vários 10 pra gente, sabe como é né... pra agradar os amigos do filhão!!! hehehehehe
    Bjs

     

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